Enxaqueca: conheça os tratamentos mais modernos e eficazes
A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais comuns e incapacitantes no mundo. E embora exista tratamento há décadas, muitos pacientes ainda convivem com dor frequente, efeitos colaterais de medicações e uma certa frustração com os resultados. Mas a boa notícia é que os avanços recentes na medicina têm transformado esse cenário.
Tratamentos orais tradicionais: funcionam, mas nem sempre são ideais
Por muitos anos, os tratamentos preventivos da enxaqueca foram feitos com medicações desenvolvidas originalmente para outras condições: antidepressivos, anticonvulsivantes, betabloqueadores e bloqueadores de canais de cálcio (medicações utilizadas para tratamento de pressão alta e problemas cardíacos). Embora possam ser eficazes para algumas pessoas, muitos pacientes enfrentam dificuldades com esses medicamentos.
Os motivos mais comuns são:
- Efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso, alterações de humor e tontura
- Início de ação lento (às vezes semanas até começar a funcionar)
- Necessidade de uso diário e contínuo, o que dificulta a adesão
Essas limitações abriram espaço para o desenvolvimento de terapias mais específicas, direcionadas à fisiopatologia da enxaqueca.
Quando o tratamento preventivo é necessário?
Antes de falarmos das novidades, é importante entender que o objetivo do tratamento preventivo é reduzir a frequência, intensidade e duração das crises.
Ele é indicado principalmente nos seguintes casos:
- Quando a pessoa tem mais de 8 dias de dor por mês
- Quando os medicamentos de alívio não estão funcionando bem
- Quando há efeitos colaterais indesejados com os remédios comuns
- Quando a dor atrapalha a rotina, o trabalho ou o sono
- Quando há uso frequente de analgésicos
Novidades no tratamento da enxaqueca: da toxina botulínica aos anticorpos monoclonais
Se você sofre com enxaqueca e sente que os tratamentos tradicionais não funcionam bem ou causam muitos efeitos colaterais, saiba que a medicina evoluiu — e hoje contamos com novas opções terapêuticas que têm mudado a vida de muitos pacientes.
Entre elas, destacam-se a toxina botulínica e os anticorpos monoclonais. São tratamentos modernos, com eficácia comprovada, que atuam na prevenção das crises e oferecem mais qualidade de vida para quem convive com a enxaqueca crônica.
Toxina botulínica: mais que estética, é tratamento e uma aliada importante para a enxaqueca crônica
A toxina botulínica, conhecida por seu uso estético, também é aprovada para tratar enxaqueca crônica — aquela que causa dor de cabeça por 15 dias ou mais ao mês, sendo ao menos 8 deles com características de enxaqueca.
Ela é aplicada em pontos específicos da cabeça, pescoço e ombros, com agulhas muito finas com o objetivo de reduzir a atividade dos nervos envolvidos na dor. A aplicação é feita em consultório, leva cerca de 20-30 minutos e é repetida a cada 3 meses.
Vantagens:
- Tratamento trimestral
- Efeitos colaterais leves e localizados
- Muito bem tolerada pela maioria dos pacientes
É uma opção bastante interessante para quem já tentou outros preventivos sem sucesso.
Benefícios:
- Reduz a frequência das crises
- Diminui a intensidade das dores
- Reduz a necessidade de analgésicos
- Melhora a qualidade de vida
Anticorpos monoclonais: o avanço mais importante das últimas décadas
A principal inovação no tratamento preventivo da enxaqueca são os anticorpos monoclonais contra o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) ou seu receptor — substâncias diretamente envolvidas na cascata de dor da enxaqueca.
Esses medicamentos foram desenvolvidos especificamente para a enxaqueca, com base em anos de pesquisa, e têm se mostrado eficazes tanto na redução da frequência das crises quanto na melhora da qualidade de vida dos pacientes.
Vantagens principais dos anticorpos monoclonais:
- Aplicação mensal (ou trimestral, dependendo da formulação)
- Poucos efeitos colaterais, geralmente leves (como reações no local da aplicação)
- Alta aderência ao tratamento, graças à posologia mais cômoda
- Podem ser usados em pacientes que não responderam aos tratamentos orais tradicionais
- São direcionados apenas ao mecanismo da enxaqueca
Esses medicamentos foram criados especificamente para enxaqueca e têm alta eficácia com poucos efeitos adversos. Eles podem ser aplicados mensalmente ou trimestralmente, dependendo da formulação.
Os anticorpos mais utilizados hoje no Brasil incluem:
- Fremanezumabe
- Galcanezumabe
Esses tratamentos são para qualquer paciente?
Nem sempre. Essas terapias são indicadas principalmente para pacientes com enxaqueca crônica ou com enxaqueca episódica de difícil controle. A decisão depende da avaliação do neurologista, do histórico do paciente e da resposta aos tratamentos anteriores.
Existe cura para a enxaqueca?
A enxaqueca é uma condição crônica, mas com o tratamento certo é possível controlar os sintomas e viver bem. A combinação de mudanças no estilo de vida com tratamentos preventivos modernos pode transformar a vida de quem sofre com dores frequentes.
Você merece viver sem dor
Se você já tentou diversos tratamentos, convive com dores frequentes e sente que a enxaqueca tem limitado sua rotina, não perca a esperança. Hoje, com os avanços da medicina, há novas possibilidades para você.
Hoje, a neurologia oferece opções modernas e personalizadas para o tratamento da enxaqueca. Os anticorpos monoclonais e a toxina botulínica representam um grande avanço, especialmente para quem não teve bons resultados com os tratamentos convencionais.
A ciência avançou — e você não precisa mais aceitar a dor como parte da rotina. Agende uma consulta com um neurologista e descubra qual é o melhor caminho para o seu caso.
Dr. Júnior Vasconcelos
Neurologista – CRM 219464 | RQE 124426
Especialista no diagnóstico e tratamento de dores de cabeça